Archive for the ‘antroposofia’ Category
O Mundo é Belo
Na Terapia Biográfica usamos essa afirmação como símbolo do período de desenvolvimento que todos passamos de 7 a 14 anos. Este é um período em que buscamos, identificamos e valorizamos a beleza no mundo. Se até os 7 anos nosso principal referencial era a própria família, nessa fase a criança se divide entre a casa e a escola, e a comparação surge como atividade que permite classificar tudo o que vivenciamos no mundo.
A beleza é encontrada nos contos de fadas, nas histórias de heróis, nas lendas e fábulas. A natureza é outra fonte inesgotável de apreciação da natureza para uma criança, que se delicia vendo e brincando com os animais, se extasia diante de uma flor, se maravilha com o mar. A criança participa da beleza que há no mundo, ela não é mera espectadora, ela brinca com os animais, tira as flores do pé e se enfeita com elas, inventa mil brincadeiras na praia.
Quando adultos, perdemos muito dessa capacidade de apreciar e desfrutar a beleza e precisamos muito da confirmação do outro para podermos reconhecê-la. Assim, o belo é aquilo que todos, ou a maioria, considera belo, e geralmente esta é uma visão muito superficial, pois não há contato com a essência daquilo que é observado.
Quando visitamos uma cidade, isso se torna claro por escolhermos visitar somente os pontos turísticos consagrados, que são verdadeiros pastiches. O Rio de Janeiro, por exemplo, é famoso pela Pão de Açúcar e pelo Cristo Redentor. Sem dúvida, lindos! Mas o que eu mais gosto no Rio de Janeiro é de tomar um chopp sexta-feira à tarde, nas ruas do centro, em que todos estão saindo do trabalho e, de certa forma, comemorando o fim de semana que está começando. Este é o tipo de beleza que lembra aquela que vivenciamos quando crianças: você participa dela, e a alegria presente nela é o que a faz tão especial. Ninguém vai fotografar as mesas cheias de pessoas tomando chopp e comendo peixe frito, você vai lá participar dessa maravilha!
Precisamos resgatar nossa apreciação de criança para ter um novo maravilhamento com a beleza do mundo, uma beleza da qual podemos ser participantes e não somente espectadores.
Marcelo Guerra
Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico
Co-fundador do DAO Terapias, realiza workshops de auto-desenvolvimento em várias cidades do Brasil.
Alice e a crise de identidade
Artigo originalmente publicado na Revista Personare.
O filme Alice no País das Maravilhas, na versão de Tim Burton, além de sua excepcional beleza que, graças ao efeito 3D, nos toca quase que literalmente, nos proporciona uma importante reflexão sobre a Crise de Identidade. Arquetipicamente esbarramos com ela na passagem da adolescência para a vida adulta.
Enquanto em algumas sociedades tribais os jovens precisam passar por lutas ou serem largados numa floresta, em nossas sociedades ocidentais encontramos metáforas dessas lutas e aventuras dentro de florestas desconhecidas. O final de faculdade e a procura por um emprego geralmente se assemelham bastante à sensação de estar perdido no meio de uma floresta. Precisamos demonstrar habilidades que ainda não estamos bem certos de possuirmos. Alice se vê diante de uma escolha ‘profissional’ (afinal ser esposa era praticamente uma profissão para as mulheres daquela época), ao ser proposta em casamento por um jovem rico e sem graça. Este é o momento em que ela percebe que sua vida adulta está batendo à sua porta, e sua Crise de Identidade começa.
Alice cai num buraco muito fundo, suas certezas da adolescência ficam todas em suspenso, uma sensação de estar no vácuo. Afinal, a adolescência é uma época de dúvidas, mas costumamos mascará-las com ideologias que buscamos desesperadamente. Agora, as ideologias precisam passar por um choque com a realidade. Ser adulto implica em buscar a sua própria verdade e não emprestarmos uma de alguma ideologia, por mais sublime que seja. E a sua verdade pode não ser tão sublime assim, afinal nossa personalidade está povoada por elementos de luz e de sombra.
Alice se vê diante dessa crise e nem sabe se é ’a Alice’! Põe-se numa jornada de exploração, típica do início da vida adulta, em que viajamos muito, conhecemos muitas pessoas diferentes (saindo daquele esquema do ‘meu grupo’ tão comum na adolescência), trabalhamos em vários lugares diferentes, ou seja, buscamos conhecer o mundo como ele é. Recebemos ajuda de pessoas mais velhas e experientes, como o Chapeleiro Louco fez com Alice.
Ao fim da exploração, Alice se vê diante do Jaguadarte (uma espécie de dragão) e, principalmente, diante do último fio de convicção ideológica que guarda de sua adolescência: ‘Eu não sou capaz de matar’. Cada vez é mais comum nos agarrarmos aos traços de nossa adolescência, até mesmo pelo excessivo valor que é depositado à imagem da adolescência pelos meios de comunicação. Um exemplo disso é o fato, cada vez mais comum, de ficar morando com os pais por muitos anos depois de adultos. E o comportamento em casa de quem mora com os pais é de adolescentes, geralmente sem qualquer responsabilidade. Quando Alice corta a cabeça do monstro, ela diz adeus à adolescência e se posiciona como mulher adulta que sabe que é Alice e que pode muito mais do que a imagem de lourinha fragilzinha pode fazer supor. Ela se torna Independente, que é aquilo que buscamos através de nosso desenvolvimento desde o momento em que nos colocamos de pé e aprendemos a andar. Aí começa uma nova jornada!
O lixo e nossa responsabilidade social
Em 1982 eu morava em São Gonçalo e estudava em Niterói, num colégio bem no centro. Desde pequeno, São Gonçalo e Niterói eram para mim como uma só cidade, dois lados bem diferentes da mesma cidade. Em São Gonçalo eu brincava na rua, trepava em árvores (em casa ou na casa de algum colega), em Niterói visitava minha tia Florinda, ia ao cinema e comprava roupas. São Gonçalo era árido, mas tinha a diversão, a molecagem. Niterói tinha uma praia linda (só de ver) que o ônibus passava bem em frente, tinha árvores nas ruas, tinha lojas bonitas. Quando eu fui estudar lá e passei a conviver com os niteroienses, percebi que eram dois mundos bem diferentes, e fui tratado como lixo por morar em São Gonçalo. Se fosse hoje com essa onda de cotas no vestibular, deveria haver cota para suburbano. Nós gonçalenses, só tínhamos amigos entre os outros gonçalenses ou com os colegas que vinham do interior estudar em Niterói. Além desses, numa turma de 100 alunos, talvez uns 3 niteroienses fossem nossos amigos. Namorar uma niteroiense, então, sem chance! Éramos lixo!
Neste ano, houve uma greve de garis em Niterói, e andar nas ruas do centro era insuportável, tudo fedia a vômito! A gente desviava do lixo acumulado nas calçadas pelos bares e restaurantes, as ruas cheias de papel, bagaço de cana (por causa do caldo de cana), restos de comida, muitas moscas, ratos.
Por que essas lembranças agora? A tragédia no Morro do Bumba, no Cubango, um bairro de Niterói, está sendo atribuída ao fato de terem construído as casas sobre um lixão que foi desativado em 1982, este mesmo ano da greve. Fiquei pensando que valorizamos muito o impacto do aquecimento global, a que atribuímos responsabilidade maior aos governos, e falamos tão pouco do lixo, cuja responsabilidade maior é nossa, é minha e sua, na nossa casa, no nosso trabalho. No verão passado, a cidade de São Paulo sofreu com as chuvas que teimavam em cair todo dia e inundar boa parte da cidade. O que agravou as inundações? O lixo jogado nas ruas. Aquele papelzinho de bala que alguém não se importou de jogar no chão, aquele panfleto que eu peguei no sinal e joguei pela janela do carro quando o sinal abriu, aquele chiclete que perdeu o doce e eu cuspi no cantinho da calçada.
Segunda-feira, dia 5 de abril, o Grande Rio sofreu com uma chuva de mais de 12 horas que alagou tudo! O que agravou a enchente? Novamente o lixo que não foi para a rua sozinho, que alguém jogou ali.
Terça-feira, 6 de abril, a chuva continua e o Morro do Bumba veio abaixo, um morro artificial, feito de lixo! Eu voltei a me sentir niteroiense/gonçalense (deixando de me sentir o lixo que me impuseram) e imaginei a dor que os moradores de lá estão sentindo. Além do desprezo dos governos, está a nossa responsabilidade. O lixo é nossa responsabilidade, e é preciso que modifiquemos urgentemente nossa forma de consumir, para que possamos mudar este quadro. No domingo foi Páscoa, muitas crianças e adultos ganharam ovos de páscoa e caixas de bombons. Um ovo de páscoa vem envolvido em camadas de papel, sobre um copinho plástico, com um barbantinho, e por aí vai. Um pouco de chocolate em forma de casca de ovo envolto em muito lixo!
Não sei como solucionar este problema do lixo, mas precisamos todos pensar juntos em como cada um pode diminuir a sua produção de lixo. Estar consciente a cada vez que for comprar um produto que, para parecer mais fino, e consequentemente mais caro, está envolvido em várias camadas de embalagem (lixoassim que você o comprar). Precisamos pensar no destino do nosso lixo e em produzir menos lixo.
Poema de Páscoa
Novalis (Friedrich von Hardenberg) 1772-1801
Eu digo que ele vive, a toda gente,
e que ressuscitou,
e que junto de nós e para sempre
pairando ele ficou.
Eu digo, e todos vão também dizer,
aos companheiros seus,
que em breve em toda parte vai nascer
novo reino dos céus.
Perante um novo modo de sentir,
o mundo reaparece;
e a vida nova em nós a ressurgir
da mão dele é que desce.
Vejo o terror da morte mergulhar
no fundo mar escuro,
e toda gente agora a contemplar
com calma seu futuro.
A vereda sombria que ele abriu
para o céu é que vai,
e quem os seus conselhos já ouviu
chega à casa do Pai.
Agora, ao ver morrer alguém querido,
sofremos sem temor.
Saber que o reencontro é concedido
suaviza essa dor.
Com muito mais fervor vamos agir
nos feitos mais singelos,
pois essa sementeira vai florir
A Luz e a Sombra

“Aquele que aprisiono com meu nome fica gemendo nesta prisão.
Vivo ocupado em construir este muro à minha volta;
e, dia a dia, à medida que o muro sobe até o céu,
vou perdendo de vista meu verdadeiro ser na escuridão de tua sombra.
Orgulho-me deste alto muro e o revisto com terra e areia,
para que não se veja nenhuma rachadura neste nome.
E, com os cuidados todos que tomo,
vou perdendo de vista meu verdadeiro ser.”
Rabindranath Tagore
Cada vez mais nos afastamos de qualidades que retratam a essência do nosso EU, gerando como consequência sofrimento e dor. O workshop A Luz e a Sombra na Alma Humana tem por objetivo trabalhar de forma vivencial as forças da alma vinculadas ao sentido do olfato, ampliar a qualidade de contato e levar à reflexão sobre a forma como lidamos em nossa vida diária com a nossa própria violência e vícios.
Está baseado no segundo trabalho de Hércules, em que o Herói luta contra uma hidra de muitas cabeças, que representam nossas sombras, nossas máscaras, que criamos como defesas e depois se tornam nossas prisões. Este workshop é destinado às pessoas que desejam trabalhar o autodesenvolvimento.
Metodologia:
Palestras, atividades artísticas, danças circulares, pesquisa na própria biografia e outras vivências em grupo.
- O que representam as cabeças da hidra na minha vida?
- Quais são as sombras que preciso levar à luz para retirar sua força?
- O que aprendo de mim mesmo ao reconhecer minhas sombras?
Quem coordena?
Rosângela Cunha, Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Terapeuta Biográfica
Marcelo Guerra, Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico
(Formação Biográfica – Minas Gerais – Escola Livre de Formação Biográfica
Membro do International Trainers Forum em conexão com a General Anthroposophical Section of the School of Spiritual Science do Goetheanum – Dornach/Suiça.)
Quando e onde?
De 12 a 14 de março de 2010, no Chateau dos Jesuítas, em Monnerat ( Duas Barras) – RJ.
De 26 a 28 de março de 2010, no Centro Paulus, em São Paulo – SP
Quanto?
Em Monnerat:
(Os preços incluem estadia em quartos individuais, com alimentação no período do workshop. A inscrição é efetivada com o depósito da primeira parcela.)
- R$680,00 ou 4X R$170,00.
- Preço promocional para os inscritos até 31/01/2010: R$540,00 ou 4X135,00.
Em São Paulo:
(Os preços incluem estadia com alimentação no período do workshop. A inscrição é efetivada com o depósito da primeira parcela.)
- Suíte individual: R$820,00 ou 4X R$205,00.
- Quarto individual: R$680,00 ou 4X170,00.
Mais informações e inscrições:
Rosângela: (31)8532-2217ou (32)8887-8660 santana@terapiabiografica.com.br
Marcelo: (11)6463-6880, (22)9254-4866 ou (21)7697-8982 marceloguerra@terapiabiografica.com.br
COMO CHEGAR A MONNERAT:
ÔNIBUS DA VIAÇÃO 1001 DIRETO, SAINDO DO RIO DE JANEIRO E NITERÓI (saídas do Rio às 9:10h e 14:15h; e os mesmos ônibus param na Rodoviária de Niterói e saem 30 minutos depois de cada horário, ou seja, 9:40h e 14:45h). É possível também tomar um ônibus até Nova Friburgo, que oferece muito mais horários e outro a partir de lá. O tempo de viagem é de cerca de 3h e 40 minutos de ônibus.Para quem vai de carro, é só pegar a estrada RJ-116 (Niterói-Friburgo) e seguir direto. Após passar por Nova Friburgo, continuar na mesma estrada por aproximadamente 30 minutos. Monnerat fica no km 117 desta estrada.
O lado feminino presente no homem
Artigo originalmente publicado na Revista Online Personare
“Ser um homem feminino não fere o meu lado masculino.” (Pepeu Gomes)
Tanto os homens quanto as mulheres compartilham características que podem ser consideradas masculinas e femininas. Isso ocorre biologicamente e também animicamente. Biologicamente, os hormônios sexuais, estrogênio e testosterona, estão presentes em ambos os sexos, mas em proporções diferentes. O estrogênio é mais preponderante na mulher e a testosterona, no homem.
Animicamente, há dois arquétipos relacionados ao gênero, chamados Anima e Animus. O Animus é o arquétipo masculino presente na mulher e o Anima, o arquétipo feminino presente no homem. É sobre este último que este texto trata.
A Anima é um arquétipo que carrega as qualidades de contração, introspecção, acolhimento, o nutrir o outro, maternidade, o cuidar do outro. São qualidades tradicionalmente associadas ao feminino, e que o homem carrega em sua vida psíquica e pode, ou não, desenvolver ao longo da sua biografia.
Quando somos crianças e adolescentes, recebemos de fora nossa educação, seja pela família, pela escola, pelos grupos que frequentamos, pelas ideologias a que aderimos. Quando nos tornamos adultos, a nossa educação fica em nossas mãos, torna-se auto-educação, e todo nosso desenvolvimento a partir de então está sob nossa responsabilidade.
O cultivo e desenvolvimento da Anima pelo homem depende, então, de sua própria vontade. Nos primeiros anos da vida adulta, o homem se vê diante de circunstâncias que frequentemente o impelem à competição, e isso mantém a sua Anima meio adormecida, latente. Essa competição aparece na vida profissional, onde é mais evidente, assim como nos relacionamentos, em que a busca por uma parceira pode tomar ares de uma verdadeira caçada.
Já na faixa dos trinta anos, o homem (assim como a mulher) já busca temperar mais a razão (característica arquetipicamente masculina) com a emoção (característica arquetipicamente feminina) e assim há um surto de desenvolvimento de sua Anima, como se fosse a puberdade da Anima. As decisões já levam em conta não só fatores materiais, lógicos, mas também sentimentais. No trabalho, por exemplo, ter um bom salário já não representa o único, nem o mais importante, critério para um homem escolher um emprego. Estar num ambiente de trabalho agradável, junto com pessoas amigáveis, conta muito mais. No relacionamento, o fato de uma mulher ser bonita e gostosa diminui um pouco de importância aos olhos do homem, que passa a valorizar mais os atributos de companheirismo, carinho, atenção.
O desenvolvimento da Anima prossegue após esse ‘estirão’ e na faixa dos cinquenta anos a Anima amadurece e floresce no homem (sempre lembrando que a opção ‘ou não’ também é válida, afinal de contas somos livres para escolher o rumo de nossas vidas). Assim, nos relacionamentos amorosos e familiares, o homem passa a ser mais carinhoso, afetuoso, emotivo, demonstra mais os seus sentimentos. No trabalho, tem um cuidado maior com os colegas, principalmente com os mais jovens, de quem muitas vezes pode se tornar uma espécie de tutor e protetor.
Lembro que meu pai, que era um pai disciplinador, autoritário, nessa época me beijou pela primeira vez, o que me causou surpresa e alegria. O pai autoritário tornou-se um avô que cozinhava para nos receber, que puxava os netos pela casa em cima de um ‘tapete voador’, que aprendeu a dizer ‘eu amo você’, que admitiu que sentia muita saudade do pai que morrera há tantos anos, que chorava ao ser homenageado por estagiários em seu trabalho (ele era enfermeiro).
A Anima é um tesouro na vida anímica do homem, que traz conforto e maciez à própria existência e à daqueles com quem se relaciona. Por isso, homens, vamos cuidar bem de nosso lado feminino e fazer um mundo mais carinhoso.
Dedico este texto à memória de Warner, meu pai.
O que você faz com seus talentos?

Na metodologia do Trabalho Biográfico dividimos a vida em períodos de 7 anos, que chamamos Setênios. Esta divisão tem um propósito didático, mas contém em si uma sabedoria, já conhecida dos antigos filósofos gregos, que primeiro propuseram esta divisão. Cada passagem de setênio é marcada por acontecimentos que levam a vida para uma direção diferente. Às vezes esses acontecimentos são externos, fatos verdadeiramente, mas muitas vezes são internos, mudanças de nossa percepção em relação ao mundo. Sejam internos ou externos, esses acontecimentos provocam crises na nossa existência.
Por volta dos 28 anos, às vezes um pouco antes ou um pouco depois, vivemos a Crise dos Talentos. Até os 21 anos fomos educados, e no início da vida adulta experimentamos o que aprendemos em nossa vida pessoal, amorosa e profissional, muitas vezes de forma impulsiva, guiados mais pelos sentimentos e sensações do que pela razão. Chegando aos 28 anos, estamos desenvolvendo mais o pensamento racional, e cada decisão passa a ser muito mais pesada e medida do que apenas sentida. Muitas pessoas dizem que “agora a juventude acabou”, e buscam situações mais estáveis na vida. Por exemplo, se você mudou muito de emprego, sempre seguindo as propostas e possibilidades de aprender algo novo, agora já buscará estabelecer um momento mais estável na sua carreira, seja através de um emprego ou mesmo por conta própria. Não estou falando de arrependimento em relação às mudanças do início da vida adulta, já que essa multiplicidade de experiências fez com que você desenvolvesse múltiplos talentos.
E a Crise dos Talentos leva você a pensar: “saí pelo mundo, pela vida, vivi muitas situações, aprendi muita coisa, desenvolvi muitos talentos mas… e agora? O que eu faço com meus talentos daqui para a frente? Sobre quais talentos eu quero trabalhar para que se desenvolvam mais e possam tornar-se uma faculdade em minha vida? Quais talentos preciso deixar de lado, totalmente ou pelo menos parcialmente, por não me servirem mais ou não me interessarem mais?”
Muitas vezes a Crise dos Talentos aparece como um questionamento de suas próprias capacidades. Em minha vida, apareceu entre os 28 e os 29 anos. Eu trabalhava como médico homeopata e pediatra em uma cidade muito pequena, perto de Nova Friburgo, e era o único homeopata da cidade. Tinha muitos clientes, ganhava bem, tinha um nome respeitado, mesmo sendo tão novo e estar formado há apenas 5 anos. Já não precisava mais dar plantões, passeava nos finais de semana com a família, viajava frequentemente. Tudo de bom! Aí começou o comichão… Eu me questionava se era realmente um bom médico homeopata ou se fazia sucesso por ser o único na cidade, tipo ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’. Resolvi mudar para Friburgo e começar a trabalhar lá, já que é uma cidade muito maior, e tem uma tradição em termos de homeopatia, sempre com muitos médicos homeopatas (proporcionalmente à população, tem mais homeopatas que a maioria das capitais). Logicamente mantive alguns dias no antigo consultório, não foi um salto sem rede de proteção, mas aos poucos fui aumentando meus horários no consultório de Friburgo, e tudo deu certo. Eu tinha talento pra coisa! Daí começou uma nova fase em minha vida, com novas possibilidades (o contato com a Antroposofia começou aí, aos 28 anos, através de uma amiga de Friburgo).
Esta Crise dos Talentos muitas vezes é deflagrada por alguém, um amigo ou alguém que passa batido pela nossa vida, que fala alguma coisa e cria esse comichão. Pode ser também um livro, um filme, mas sempre levando a um profundo questionamento do que fazer com os talentos que conquistamos até então.
Observe na sua história, se você já passou dessa idade, o que pode ter sido essa Crise dos Talentos. E, se você ainda não chegou aos 28 anos, esteja de olhos e ouvidos abertos para os questionamentos que vão surgir nesta fase. Eles vão lhe trazer uma certa angústia, afinal a palavra ‘crise’ não é retórica, mas você vai entrar num novo rumo em sua vida, num crescimento pessoal muito recompensador.
Marcelo Guerra
Artigo originalmente escrito para a Revista Personare.
Curso DAO: Observação e Sentido
Uma nova forma de intervenção terapêutica e pedagógica.
No trabalho terapêutico e na educação a Observação e o Sentido são os dois pilares. A Observação busca no exterior o que o Sentido vai elaborar no interior. Neste curso teórico-vivencial iremos abordar os conceitos que permitirão que você desenvolva sua capacidade de observar de forma a obter sentido nas diferentes situações encontradas em sua vida e em seu trabalho.
Tópicos:
- A Antroposofia e seus princípios básicos;
- A Biografia Humana;
- Observação Goetheanística;
- Potenciais anímicos: Pensar, Sentir, Agir;
- Vocação e Profissão.
Público Alvo: Profissionais e estudantes dos últimos períodos de Psicologia, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Serviço Social, Pedagogia e todas as demais carreiras da Educação.
Coordenação:
Rosângela Cunha
Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Terapeuta Biográfica
Marcelo Guerra
Médico Homeopata, Acupunturista e Terapeuta Biográfico
Formação Biográfica – Minas Gerais – Escola Livre de Formação Biográfica
Membro do International Trainers Forum em conexão com a General Anthroposophical Section of the School of Spiritual Science do Goetheanum – Dornach/Suiça.)
Em Juiz de Fora:
Encontros quinzenais, às quintas-feiras, de 18h às 20h,
Datas: 11/03, 25/03, 8/04, 22/04, 06/05, 27/05, 17/06 e 01/07 de 2010, num total de 8 encontros.
Em Nova Friburgo:
Encontros quinzenais, às quartas-feiras, de 18h às 20h,
Datas: 17/03, 31/03, 14/04, 28/04, 12/05, 26/05, 09/06, 23/06 de 2010 , num total de 8 encontros.
Preço: R$800,00 divididos em 4 parcelas de R$200,00.
Grupos pequenos.
Escreva para santana@terapiabiografica.com.br ou marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para falar com um de nós:
(21)7697-8982 ou (22)9254-4866, Marcelo
(32)8887-8660 ou (31)8532-2217, Rosângela
Grupo de Terapia Biográfica em Nova Friburgo

Estamos formando novos grupos de Terapia Biográfica em Nova Friburgo (RJ). Se você tiver interesse em participar e aprender mais sobre você, venha participar. As reuniões serão realizadas uma vez por semana, em sessões de 2 horas de duração. Trabalharemos com arte e palavras, revelando o Eu interior.
Na Terapia Biográfica a arte é um elemento fundamental, assim como em todas as atividades humanas ela é um elemento harmonizador.
O impulso artístico proposto por Rudolf Steiner — e formulado pela antroposofia por meio da euritmia, escultura, pintura e arte da fala — é o machado afiado que possibilita ao aprendiz entrar em contato com seus próprios meios. Na busca do elemento artístico específico de cada arte, a pessoa depara-se com o universo dos fenômenos, conhece suas formas de expressão, e pode criar a partir de elementos como equilíbrio, movimento, cor, som, forma, ritmo, etc. A aproximação com tais elementos exige concentração e auto-observação, qualidades que se adquirem durante o próprio fazer artístico.
Ao criar algo completamente novo, saído inteiramente do seu interior, a pessoa trabalha e mostra seus limites ao mesmo tempo em que afirma sua individualidade e valoriza a si mesma. E é assim que, com a ajuda da arte, dá os primeiros passos rumo à superação de si mesma.
O fazer artístico ampliado pela antroposofia é sempre um veículo de expressão da alma. A intenção terapêutica é o equilíbrio e a harmonização interna do indivíduo.
Coordenação: Marcelo Guerra, Médico Homeopata, Acupunturista e Terapeuta Biográfico formado pela Escola Livre de Formação Biográfica de Minas Gerais (Membro do International Trainers Forum em conexão com a General Anthroposophical Section of the School of Spiritual Science do Goetheanum – Dornach/Suiça).
Local: Rua Ernesto Brasílio, 14 sala 408 – Centro – Nova Friburgo – RJ
Horário: terças-feiras, de 14h às 16h.
Início: 2 de fevereiro de 2010.
Preço: R$120,00 por mês.
Inscrições: marceloguerra@terapiabiografica.com.br ou (22)9254-4866 (deixe mensagem de voz ou de texto)
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